20/10/08
Entrevista sobre calculo renal

Jornal A Tribuna - AT Revista - Santos/SP
Maria Clara Póvia


1. Quais são as causas principais da formação de cálculos nos rins?
Para a formação de cálculos nos rins (Litíase Renal) é importante salientar que geralmente existem como causas principais uma herança genética associada aos hábitos de vida das pessoas. Desta maneira, o excesso de ingestão de sódio, alimentos ricos em proteína animal e uma baixa ingestão de líquidos aumentam a chance das pessoas desenvolverem cálculos renais. Alguns defeitos metabólicos do próprio organismo como baixos níveis de citrato na urina e o aumento da eliminação de cálcio e de ácido úrico pelos rins também favorecem a formação dos cálculos renais. Além disto, sedentarismo e obesidade, doenças das glândulas tireóide e paratireóides como o hipertiroidismo e o hiperparatiroidismo, a osteoporose e algumas doenças intestinais também podem levar a formação de cálculos nos rins, assim como uso crônico de alguns medicamentos como o caso dos corticóides, diurético como a furosemida e do indinavir (anti-retroviral). Indivíduos que trabalham em exposição a altas temperaturas ou ao calor extremo também tem maior risco de desenvolveram calculose renal pela desidratação contínua a que são submetidos.

2.Como prevenir?
De maneira geral aumentar a ingestão de líquidos em torno de 30 mL/kg/peso/dia Ex. uma pessoa de 70 Kg deve ingerir em torno de 2,1 L por dia. Evitar excessos alimentares em relação a alimentos ricos em sal e proteína animal. É importante ressaltar que existem medicamentos específicos para a prevenção cujo uso deve ser individualizado e prescrito pelo especialista que é o Nefrologista.

3. Há pessoas mais propensas? Li em um site que homens são mais afetados. É verdade? Por que isso acontece?
Como comentei anteriormente, pessoas cujos familiares apresentaram cálculo renal anteriormente + hábitos de vida são mais propensos. Os homens são acometidos numa proporção de 3:1 em relação às mulheres. Esta diferença talvez se dê por fatores hormonais, profissionais e pelo fato dos homens ingerirem mais proteína animal do que as mulheres.

4.Em que idade esse problema ocorre com mais freqüência?
A incidência de cálculo renal é em torno de 10% na população em geral sendo que freqüentemente o primeiro episódio de cólica nefrética ocorre na infância e recorre em 50% dos casos ao longo da vida. Entretanto o primeiro episódio pode aparecer em qualquer idade.

5.Quais são os primeiros sinais?
Os episódios de cólica renal são geralmente abruptos e muito dolorosos e quase sempre são acompanhados de náuseas e vômitos. A dor freqüentemente ocorre na região lombar e pode se irradiar para a região pélvica juntamente com alteração da cor da urina, que pode se tornar avermelhada ou escura seguida ou não de dificuldades para a urinar. Vale lembrar que às vezes pessoas acometidas por cálculos renais não apresentam sintomas e só irão descobrir que são portadoras se fizerem algum exame radiológico na vida.

6.Como se faz o diagnóstico? Como detectar o problema?
A suspeita de cálculo renal se faz pela história clínica e exame físico do paciente e é confirmada por exames de urina e de imagem que varia desde uma simples radiografia de abdome, ultrassonografia e tomografia computadorizada.

7. Há certos tipos de alimentos restritos? Quais? Por que devem ser evitados?
Alimentos ricos em sódio e proteína animal e chocolate amargo devem ser ingeridos com moderação naqueles indivíduos portadores de cálculo renal. No passado se recomendava não ingerir derivados de leite e alimentos. Hoje em dia, esta recomendação não é mais válida, pois na verdade o cálcio que ingerimos é fator protetor e não formador de cálculo renal. O fato do cálculo ser formado de oxalato de cálcio é porque o rim perde cálcio na urina por um defeito genético e não porque comemos muito cálcio. Na verdade se pararmos de ingerir cálcio ocorrerá um risco aumentado de descalcificação óssea.

8. Do que o cálculo é composto? Quais os tamanhos?
Os cálculos em sua grande maioria são formados de oxalato de cálcio e podem ser bem pequenos com milímetros de diâmetro até de vários centímetros chegando até 5 -7 cm.

9.Como é feito o tratamento?
O tratamento pode ser clínico através de orientações dietéticas e medicamentos e/ou cirúrgico para remoção do cálculo renal através de cirurgias endoscópicas pelo canal da uretra e também através da Litotripsia extracorpórea.

10. Quem teve uma vez, pode apresentar o problema de novo? Como evitar?
A chance de uma pessoa que tem ou que teve cálculo renal voltar a ter o problema novamente é de 50%. Sendo assim é recomendado visitar o especialista regularmente para prevenção.

11. A cor da urina interfere? Como identificar?
Geralmente quem tem cálculo renal pode apresentar uma urina avermelhada ou até escura indicando sangramento da via urinaria pela mobilização ou eliminação do cálculo renal.

12. O que é litotripsia extracorpórea?
Litotripsia é o termo que se usa para a destruição e pulverização do cálculo renal através de ondas ultrassônicas de choque que atravessam o corpo em direção aos rins e vias urinárias sem a necessidade de cirurgia. Após este procedimento geralmente os fragmentos são eliminados espontaneamente.

Dra. Samirah Abreu Gomes
Doutora em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo-UNIFESP
Coordenadora do Pronto Atendimento do Hospital do Rim e Hipertensão
Médica do Ambulatório de Litíase Renal da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Contato: samirah@nefro.epm.br

 
 




 

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